Nome:Alika Finotti
Atividade: Filosofia Sincrética
Idade/ Signo: 23 / virgo com ascendência em virgo
Quais são os livros que você já publicou?
"Psyon - Uma Filosofia do Futuro" foi a primeira experiência como pensador itinerante. Montei eu mesmo o livro todo e imprimi 200 cópias para lancá-lo em dois eventos em Julho de 2005, o Festival Trancendence de música eletrônica e o Festival de Culturas Tradicionais da Petrobrás, sediado na Vila de São Jorge, em Alto Paraíso de Goiás. A narrativa da obra gira em torno de um encontro inusitado com uma borboleta, literalmente um cara a cara com uma borboleta num dia de sol, ocasião que desencadeou um longo processo de compreensão dos mecanismos que regem a realidade da matéria e do espírito. O livro tem cerca de 100 páginas e funciona como um tipo de diário filosófico aberto, em que o autor discute consigo mesmo sobre suas angústias e encontra um sentido profundo em sua existência. As discussões sobre costumes e valores modernos, as ligações entre religião e ciência, as necessidades objetivas e subjetivas do ser humano, além de toda uma gama de referências da arte, política e erudição, ilustram uma aventura de auto-conhecimento no terceiro milênio, em que se tem de lidar com tanta teoria obscura acerca dos porquês de estarmos aqui.
Como foi a vendagem do seu primeiro livro em Alto Paraíso?
Veja bem, eu fui pra Goías com o intuito principal de adquirir experiência como um escritor que é responsável por divulgar e vender ele mesmo sua obra, diferente do que costuma acontecer com romancistas, que esperam que a editora faça chover dinheiro em sua conta bancária. Sendo direto, as vendas foram ótimas, esta digressão na verdade é pra explicar que não houve rendimento líquido na empreitada. Fui pra Goiás de ônibus, praticamente sem um tostão no bolso, e com mais de cinquenta quilos de livros numa mala com rodinhas. Aconteceu muita coisa. Conheci professores e professoras da região, que se empolgaram com o que viram e me disseram que iam mostrar a obra pras crianças na aula, então esses ganharam o livro de presente. Conheci gente de todo o Brasil, alguns pagavam o preço de custo da impressão, 5 reais, outros colocaram 20 ou até 50 reais na minha mão, porquê sabiam que estavam contribuindo com a idéia do "Psyon". Cheguei até fazer escambo com outros artistas, um músico com que troquei um livro pelo CD, ou o artista plástico com quem troquei uma pequena escultura linda dum bailarino de quatro braços. Só alguns exemplos. Enfim, todos os 200 livros seguiram seu rumo e cobri exatamente a viagem toda com a arrecadação, chegando de volta em São Paulo ainda sem um tostão, mas com a obra sendo lida por gente de toda classe social e todas as idades.
No que está trabalhando atualmente ?
Na mesma viagem em Goiás, comecei a escrever minha segunda obra, que se iniciou num tom mais sério e profundo, dada toda evolução pela qual passei ao longo do desenvolvimento da primeira obra. Um ano após, em Julho de 2006, o texto de meu segundo livro "O Velejador", ficou pronto. Em seguida fui na mesma gráfica em que imprimi o "Psyon" pra negociar um plano de orçamento que permitisse um custo reduzido pra cada cópia do livro. Só que a moça com quem eu estava conversando sobre tudo isso, me falou sobre uma editora que quem sabe poderia me ajudar. Assim conheci John Thrall, um grande escritor americano que está já há quase 30 anos no Brasil, autor de "Os Mestres do Tempo", que decidiu montar sua própria editora por ter se cansado de tentar assinar um contrato decente com alguma grande empresa do ramo. Assinamos um contrato em que mantenho direitos completos sobre a obra, e ele me ajuda com o processo todo de se tornar um escritor profissional, me ensina a levar meu trabalho ao público com o máximo de transparência. "O velejador" está prestes a ser lançado, pela Editora Anadarco, e é como a continuação da primeira obra, só que com um imenso aprofundamento na psique humana e nos jogos de interesses da contemporaneidade. Claro que além disso, não parei de escrever, estou fazendo a biografia do jovem músico paulistano Thiago Pinheiro e também compondo um livro de poesia chamado "Cintilâncias", que fala sobre como as incontáveis mitologias e culturas com que temos contato nos leva em viagens cósmicas e nos torna seres multifacetados.
Como é seu processo criativo? Onde costuma escrever?
Minha obra é minha vida. A arte de me relacionar com a natureza de todos os seres e coisas. Dança, música, alegria e tristeza, esses são meus temas essenciais. A busca pelo propósito e pelo significado, algo que nos é tão inerente. Às vezes, mal percebemos que em nossos íntimos lutamos por conquistar uma paz que na verdade já temos. Este é meu processo, fazendo música, me divertindo com os amigos, oferecendo luz aos menos favorecidos com quem convivo. Dia a dia descobrindo novas visões de mundo que me permitem abrir meu coração com mais força pra aprender com a vida. Escrever pra fixar isso pra mim mesmo, e pra servir de referências pra todos que perseguem momentos de integração com o universo que nos circunda. Por isso, escrevo onde estiver, gosto de usar o Orkut, e envio emails pra mim mesmo pra depois agrupar os textos. Claro que não poderia deixar de usar papel e caneta, gosto do fluxo da caligrafia, e muitas vezes me vi debatendo no papel sobre a humanidade enquanto assistia a uma aula de ética, história da arte ou política, no curso de jornalismo que fiz.
Tem algum alimento que gosta de comer quando está criando?
Engraçada essa pergunta, porquê em "O Velejador", falo sobre a mãe de todas as ciências ser a gastronomia. Eu amo comer, não pelo puro prazer da degustação, mas pela força que isso me provém, e pela variedade de estados de espírito e humor que diferentes hábitos de alimentação podem acarretar. A diferença entre chupar um limão ao invés de tomar um café com leite, assim que acorda. Ou só comer carne se for eu mesmo o caçador ou pescador. Como de tudo um pouco, mas sempre atento se aquilo me ajuda a despertar ou não. Giló, chocolate, gengibre, abóbora, pimentão, espinafre, banana, abacate, castanhas, cereais, vale tudo, só não vale estragar o manuscrito porquê derramou o chá quente em cima.
Qual o melhor horário para escrever?
Em São Paulo, normalmente escrevo nas madrugadas. São mais silenciosas, pode-se ouvir os pensamentos secretos dos que dormem, pode-se sentir os medos e as festas dos que sonham com mundos distantes. Essa relativa tranquilidade de estímulos me facilita o processo de traduzir minha alma no papel. Nunca escrevo por escrever. Muitas vezes estou em algum lugar que não posso escrever, não tem como, e me surge uma frase simples que tem mil significados. Então eu incorporo aquilo, vivo aquilo a partir do fundo de mim, como uma lição que ensinei a mim mesmo e que tenho de respeitar. Então quando enfim encontro o papel em branco, são os desdobramentos daquela lição que surgem como a poesia de meu coração, como um pai falando da vida pro filho pequeno.
Quais são suas referências de escritor?
Em minha adolescência, Machado de Assis me fez pensar nas aparentes desgraças da vida como potenciais aprendizados sobre a graça e a alegria do mundo. Então conheci Guimarães Rosa e Clarice Lispector, que me liquidificaram a cuca, tomei liberdade pra pensar na narrativa como algo independente da gramática e do dicionário. Fernando Pessoa, Manuel Bandeira e os irmãos Andrade são pra mim grandes mestres do uso de si mesmos como personagem mitológica, e com eles aprendi a fazer poesia como quem conversa com o universo de mano a mano. Não poderia deixar de citar também Nietzsche, que sempre me foi uma grande paixão, não apenas intelectual. Zaratustra abriu meus olhos pra verdadeira eternidade da vida e a partir dele desenvolvi postura pras leituras mais indecifráveis, digamos assim, de todas as teorias criacionistas e espiritismos.
Quantos livros tem sua biblioteca?
Pouca coisa, não mais que 100 títulos, dos quais admito ter lido apenas cerca de um terço. Recentemente encaixotei minha coleção de quadrinhos de super heróis, com mais de mil títulos, estes eu li todinhos. Foi o que me proveu de criatividade e bom português, e encorajoso muito aos pais que façam os filhos lerem quadrinhos, porquê na internet não se toma o tempo necessário pra realmente entrar de cabeça na fantasia duma estória, a leitura por prazer é um dom a ser cultivado. Sei que era uma pergunta simples e objetiva, 'quantos livros', só me estendi pra completar dizendo que sempre acreditei nas leituras predestinadas, aquelas que verdadeiramente mudam sua vida, como conhecer um guru e tomar as lições como rituais sagrados. Protesto contra excesso de leitura, que muitas vezes sufoca a essência do pensamento do indivíduo.
Qual o filme que mais te inspira? Pensa em fazer roteiros para cinema?
Recentemente saiu um filme chamado "A Fonte da Vida", que trabalha uma temática por que sou apaixonado. Também sou muito fã da série "The Matrix" e depois que conheci "O Guia do Mochileiro das Galáxias" e o grande 42, as coisas nunca foram as mesmas pra mim. Também gosto de coisas mais mundanas, como "O Gênio Indomável" ou a comédia de Woody Allen e Chris Rock. No momento estou fazendo meu primeiro texto pra teatro, roteirizando e fazendo texto das personagens. É uma idéia que me empolga muito, e já pensei muito em adaptar meus livros pro cinema, creio que um dia ainda chego lá.
Cite uma frase que fale sobre vc :
"(...) resta saber se porventura se serve mais ao próximo correndo imediatamente e sem cessar em seu socorro e ajudando-o - o que só pode ser feito muito superficialmente, a menos que se se torne penhora tirânica - ou fazendo de si mesmo algo que o próximo vê com prazer, por exemplo, um belo jardim tranquilo e fechado que possua altas muralhas contra as tempestades e a poeira das grandes estradas, mas também uma porta acolhedora." Nietzsche, em 'Aurora'.
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