quarta-feira, março 21, 2007

Desatando suas fitas

Abrir logo aquelas fitas coloridas dela,
a ansia do presente que se acabou de ganhar.
Passa cintura , cruza os dedos,cruza as costas,
termina no cabelo e fivela.

Passar os pensamentos pelo vestido,
cada canto escondido, decotes da mente,
os botões do desejo, a aquarela da maquiagem dela
as tintas de uma juventude que não quer rachar.

Escolher intimamente um pedaço dela
desenrolar todo o sentimento
Extraviar os pensamentos por uma caixa aberta
Entre os limites da surpresa e a superfícies que me comporta

Será que existe mesmo uma resposta?
Para o que nem tive coragem perguntar.
o vestido de flores que não tive coragem de desatar.
A rosa que hesitei em despetalar

Ali no chão ficam os pedaços de mim,
do espartilho e da cinta liga.
E todas as curvas falam se duvidar.
Estreita fresta que escolhi penetrar.

Amarrar suas lindas fitas,
ela embrulhada toda em mim
e com todo prazer desamarrar
Dela sim, não posso duvidar.

Abrir outros pedaços dela
em suas fitas dançar
embalar, enroscar , suas pernas devorar
Em seu corpo todo me amarrar
Traçar suas fitas e nunca mais me desatar.

Anaterazu@hotmail.com

Um comentário:

El Compostero disse...

dá fome de ternura, sede de carinho; instiga à perfeita acasalação, inspira à sublime degustação na ceia do amor entre homem e mulher, bicho e natureza, luz e treva, Deus e dúvida